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sportingbet - o que as mudanças de CEOs indicam para as ações?

Analistas fizeram avaliações positivas sobre mudanças na gestão, mas ações responderam com volatilidade

Mitchel Diniz

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Amudança no comando da Dasa (DASA3) agitou a dança das cadeiras das empresas de saúde listadas na Bolsa. Nos últimos dias, Qualicorp (QUAL3) e Mater Dei (MATD3) também anunciaram trocas de presidente e alterações em seus conselhos de administração. Mas o que está por detrás desses movimentos e qual o impacto deles para as ações dessas companhias?

Lício Cintra, ex-Hapvida (HAPV3), vai assumir o cargo de CEO da Dasa em fevereiro do ano que vem. Ele substituirá Pedro Bueno, que passa a ser vice-presidente do conselho de administração da companhia. O plano de sucessão vai ser dividido em três partes e termina em fevereiro de 2025.

Em janeiro, o Santander rebaixou a ação DASA3, por entender que o ritmo de melhora operacional da companhia vinha mais lento que o esperado o alavancagem estava muito alta. “Gostamos dos ativos e acreditamos que a companhia é capaz de entregar melhorias tanto no negócio de diagnóstico quanto em hospitais”, dizem os analistas Caio Moscardini, Karoline Silva Correia e Guilherme Gripp.

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A equipe de análise observa que os papéis estão sendo negociados em uma relação preço e lucro (P/E) de 14,9 vezesx, o que não é barato. A alavancagem também continua sendo um problema.

“A Dasa poderá se beneficiar do forte perfil de execução de Cintra, que liderou a expansão do Grupo São Francisco”, diz o relatório do banco. O Grupo São Francisco foi adquirido em 2019 pela Hapvida, por R$ 5 bilhões. Após a aquisição, ele foi vice-presidente comercial e de M&A da companhia, além de membro do conselho.

O Goldman Sachs acredita que Cintra poderá ajudar a Dasa a ampliar foco na melhora de eficiência do seu core business, o que o banco acredita ser o principal catalisador para a ação da empresa.

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“Também esperamos que o envolvimento de Bueno na transição pode fazer o processo ser mais suave, dada sua robusta experiência, não só na companhia, mas no setor também”, diz o relatório assinado por Gustavo Miele e Emerson Vieira.

O Bradesco BBI avalia que, com sua experiência, Cintra pode ajudar a Dasa em seu processo de aceleração de margem. A casa manteve recomendação neutra para DASA3, com preço-alvo de R$ 12, e espera que o a margem Ebitda (Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, sobre receita líquida) da companhia, que ficou em 16% em 2022, atinja 21% em 2025.

Na véspera, sessão após o anúncio, as ações DASA3 tiveram volatilidade. Os ativos chegaram a subir 5% no pregão, mas fecharam em queda de 3,45%, a R$ 10,62.

Mater Dei: sucessão planejada com antecedência

Na segunda-feira (26), o Mater Dei anunciou seu plano de sucessão, informando que a terceira geração da família Salvador vai assumir a administração da companhia. O atual CEO Henrique Salvador vai se tornar presidente do conselho e será substituido por seu filho, José Henrique Salvador, que foi diretor de operações da companhia nos últimos três anos.

O JPMorgan observa que, apesar dos ruídos relacionados à mudança de administração, a sucessão já era esperada pelo mercado e segue ritos que devem tornar o processo suave, impedindo disrupções na estratégia do negócio.

“Não esperamos ver qualquer impacto no modus operandi do Mater Dei”, diz o relatório, assinado por Joseph Giordano e Estela Strano.

O BBI também não espera mudanças na execução da companhia e vê uma transição suave, já que a sucessão foi planejada com bastante antecedência. A casa mantém a recomendação outperform pro papel do Mater Dei, com preço-alvo de R$ 13.

Qualicorp: reagiu bem à mudança, mas depois caiu

No primeiro pregão desta semana, os investidores reagiram de forma positiva ao anúncio do novo CEO da Qualicorp. Mauricio Lopes vai deixar a Rede D’Or para assumir o cargo em 1º de agosto, substituindo Elton Carlucci, que ficou menos de seis meses no cargo. No dia do anúncio da mudança, os papéis subiram 7,42%. Porém, na sessão seguinte, a ação apagou os ganhos e caiu em maior intensidade, fechando em baixa de quase 15%.

O BBI destaca a grande experiência de Mauricio Lopes no setor, sobretudo sua trajetória de quatro anos como vice-presidente da Rede D’Or e de seis anos como vice-presidente da SulAmérica. Os analistas afirmam que Lopes tem credenciais sólidas para ajudar a Qualicorp a incrementar receitas, que é o principal desafio da companhia hoje. A casa tem avaliação neutra sobre o papel da empresa e preço-alvo de R$ 5,50.

Para Rede D’Or, a saída de Lopes vai ter impacto neutro, segundo o BBA. Os analistas observam que as funções deles serão redistribuídas. Além disso, o executivo deve se manter relativamente próximo da Rede Dor. A casa manteve avaliação outperform para os papéis da companhia e um preço-alvo de R$ 36.

Na avaliação do Citi, uma nova visão pode ser fundamental para a empresa em sua estratégia de focar em rentabilidade e geração de caixa. Para os analistas, os profundos conhecimentos de Lopes na área podem ajudar a empresa em parcerias com operadoras de saúde relevantes. Contudo, o Citi admite que a frequência de mudanças na administração pode gerar questionamentos entre os investidores.

Mesmo com uma visão positiva sobre o novo presidente, o banco manteve recomendação de venda para QUAL3 e preço-alvo de R$ 3,60.

Para o Credit Suisse, mesmo com a mudança de comando, o mercado em que Qualicorp atua continua sob pressão. Os analistas destacam a larga experiência de Lopes na cadeia de saúde e avalia que sua indicação mostra uma proximidade da companhia com a Rede D’Or, sua acionista com 29% de participação.

A equipe de análise do JPMorgan diz que a mudança de CEO foi um movimento surpreendente, mas os ruídos dessa troca não devem durar muito, já que Lopes teve experiências consideradas bem sucedidas na Rede D’Or e SulAmérica.

“O movimento acabou sendo uma surpresa para nós, devido ao curto período de tempo em que Elton Carluci permaneceu no cargo e a nova estratégia da empresa ter apenas começado”, diz relatório do banco.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados

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